O surgimento da
vida político-administrativa orientada a consolidação de um processo
civilizatório estável está associado as ações do Conselho Ultramarino português
e a expansão luso-brasileira do século XVIII.
“(...)
nosso primeiro sinal de vida administrativa, o início da nossa organização
política, o começo da nossa atividade econômica, a nossa entrada efetiva no
cenário colonial tiveram lugar em 1737, quando foi fundado o Presídio de Jesus
Maria José, no local onde se encontra hoje a velha cidade de Rio Grande, nossa
primeira Capital e sede da Comandância (...) E sendo uma Comandância, caso
singular no sistema administrativo do Brasil Colônia, o Rio Grande nascia sob
um regime armado e passaria a viver numa atmosfera militar. A partir desse
momento histórico (...) nosso destino ficou condicionado à sorte das armas,
numa fronteira em movimento, sujeita a avanços e recuos, até sua configuração
definitiva”.[3]
A linha interpretativa está ligada a
tendência historiográfica luso-brasileira, com referências a Othelo Rosa e
também a Moysés Vellinho e seu enfoque sobre a terra de ninguém que legitima a intervenção luso-brasileira. Esta
presença também é perceptível na necessidade em diferenciar o gaúcho
Rio-grandense do gaúcho platino. Este tema foi fundamental em publicações de
Jorge Sallis Goulart, Othelo Rosa e Moysés Vellinho, sempre ressaltando que o
acontecer histórico no Prata diferenciou-se do Rio Grande do Sul. Nesta
interpretação, a influência cultural entre os dois tipos sociais de gaúcho é
restrita ou nula e a construção civilizatória lusitana ruma para a ordem e não
para os distúrbios e ao caudilhismo uruguaio ou argentino. A dicotomia
campo/cidade não faz parte da realidade Rio-grandense assim como a aproximação
entre os dois gaúchos fica restrita as atividades de pastoreio. Desta forma o
Rio Grande do Sul está desvinculado do espaço platino convergindo para a formação
histórica brasileira com nuances de construção regionalista que lhe dotam de
identidade e diferença sem distanciar-se da brasilidade.
[1]
ROSA, Othelo. Formação do Rio Grande do Sul. In: Fundamentos da Cultura Rio-Grandense. Porto Alegre: Faculdade de
Filosofia/Universidade do Rio Grande do Sul, 1957, vol. II, p. 16.
[2]
REVERBEL, Carlos. O Gaúcho: aspectos
de sua formação no Rio Grande e no Prata. Porto Alegre: LPM, 1986, p. 52.
[3] Idem.
p. 53.
[4] Ibidem.
p. 54.

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