Na planta de Custódio de Sá e Faria (1767)
elaborada durante a ocupação espanhola, o único trapiche situava-se nas
imediações da atual rua Benjamin Constant e a água chegava até poucos metros
dos fundos da Igreja Matriz de São Pedro (a Capela de São Francisco não existia
sendo inaugurada em 1814). Uma área alagadiça é indicada na extensão da área da
rua Riachuelo.
Na planta de 1829, observa-se que o trapiche da Alfândega tinha
início junto ao prédio, deixando claro que a área da atual rua General Osório
ficava submersa. Já parte da área do prédio atual da Alfândega, em sua fachada
da rua Riachuelo, estava coberto pelas águas. A Riachuelo é chamada de rua Nova
das Flores, e apesar de estreita, está claramente desenhada. Na planta de 1835 é feita referência a Rua
Nova da Boa Vista.
No século 18, não existia um espaço portuário
edificado, ocorrendo o atracamento dos navios e o desembarque dos produtos e
pessoas em embarcações menores. O engenheiro militar Sebastião Francisco
Bettamio, em 1780, ressaltou a necessidade de definir um local para edificar um
porto para o carregamento de embarcações, evidenciando a inexistência de um
porto planificado.[1]
Saint-Hilaire[2]
refere-se que em 1820 havia um cais, com um galpão de dezesseis passos de
comprimento por vinte de largura, coberto de telhas. Um guindaste descarregava
as mercadorias no galpão. Era o Cais da Alfândega que fora instalada em 1804.
Segundo ele, por ali passavam charque, couro, sebo e trigo. Estacadas de
madeira e ferro são utilizadas para construção do cais, porém, a aspiração é um
cais feito de pedra. Na década de 1850 a Câmara faz várias solicitações para
construção de um cais no porto pois a estacada estava em mau estado, porém não
obtém os empréstimos solicitados. Cais no Litoral foi solicitado desde a década
de 1850, porém somente em 1870 a primeira parte dos trabalhos em frente à
Alfândega fora concluída pelo engenheiro Ewbank Câmara. Em fevereiro de 1873
procurava-se estender a obra até a Barroso.
No ano de 1849 foi iniciada a construção de
uma doca próximo ao Mercado Público para a venda de peixe. O antigo Mercado
Público sobreviveu durante alguns anos na parte central do atual Mercado
Público o qual foi construído entre 1853-63. Uma nova doca foi construída em
1876 “junto ao mercado em frente à Banca do Peixe, como sabeis, construída de
tijolo e terra romana, sobre estaqueamento de madeira de lei, com dois metros
de profundidade e dois de alicerce, com cobertura de lajeões da Província de um
palmo de grossura, tendo uma grande escadaria de cantaria na frente.
Colocaram-se no centro quatro balizas com argolões de ferro, para amarração das
canoas”.[3]
Portanto os argolões não eram para amarrar escravos, como conta a lenda, mas
para amarração das canoas.
Henry
Vereker,[4]
cônsul inglês, em 1860, ressalta que era intenso o tráfego marítimo e os navios
deveriam lançar âncora nas proximidades da Alfândega esperando a vez de
descarregar as mercadorias, sendo que navios brasileiros ficam a oeste do cais
da Alfândega, e os estrangeiros a leste. O Cais da Boa Vista havia sido
projeto, mas, ainda não havia sido construído em 1862 devido à falta de
recursos. Um cais em frente a Santa Casa de Misericórdia começou a ser estudado
em 1898.
A Companhia Francesa do Porto do Rio Grande
entre 1908 e 1919, passa a controlar a área do Porto Velho. A partir de 1911
iniciam as obras dos Molhes da Barra e em 1915 é inaugurado o Porto Novo. Com a
encampação da Companhia Francesa pelo Governo do Estado do Rio Grande do Sul em
1919, o Porto passa para a esfera da administração estadual.
[1] BETTAMIO, Sebastião Francisco.
Notícia particular do Continente do Rio Grande do Sul. In: FREITAS, Décio. O
Capitalismo Pastoril. Porto Alegre: EST; Caxias do Sul: UCS, 1980.
[2] SAINT-HILAIRE, Auguste. Viagem ao Rio Grande do Sul. Porto Alegre: Martins Livreiro, 1987.
[3] Relatório da Câmara Municipal da
cidade do Rio Grande em sessão de 8 de janeiro 1876.
[4] VEREKER, Henry P. Vereker, 1860:
roteiro da costa do Rio Grande do Sul. Rio Grande: Ed. Da FURG, 2001
(tradução: João Reguffe).

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