Porto do Rio Grande em 1908

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segunda-feira, 3 de setembro de 2018

TRAGÉDIA ANUNCIADA


       
Museu Nacional do Rio de Janeiro. Noite de 02-09-2018. Foto: Reuters/Ricardo Moraes.

        Esta semana, na aula da disciplina de “História e Terror”, comentei que uma das maiores coleções de múmias/peças egípcias do planeta fazia parte do acervo do Museu Nacional do Rio de Janeiro. O Museu está completando 200 anos e um grande show pirotécnico foi promovido para comemorar a data: o incêndio que o está devastando neste momento! A triste noite de 2 de setembro de 2018 não deveria ser esquecida...
O prédio do Museu Nacional e o acervo são partes fundamentais da memória histórica brasileira. Quantas peças foram e estão sendo destruídas e quantas sobreviverão a esta tragédia anunciada?  Remanescentes da cultura material ameríndia, brasileira, europeia, africana, asiática etc podem ter sido aniquiladas pelo descaso com a trajetória histórica de inúmeras sociedades.
Entre tantos acervos e instituições que vegetam no país outra, também na cidade do Rio de Janeiro, está com uma morte anunciada: a Biblioteca Nacional, o grande depositário da cultura escrita neste país. O prédio apresenta inúmeros problemas de manutenção e também não tem o alvará de prevenção contra incêndio.
Assassinar as instituições de preservação cultural representa um genocídio das gerações passadas que lutaram para edificar estes espaços. Temos a obrigação de preservar suas memórias, de estudar os documentos por eles produzidos para que novas leituras críticas do passado constituam referenciais civilizatórios que alimentem as gerações no presente. A perda dos referenciais traz a encefalia e obscurece um futuro saudável e de superação dos desafios hercúleos que hoje se erguem.
Outras instituições também pedem socorro, como é o caso da Biblioteca Rio-Grandense: porém, suas vozes são tênues e não parecem ser escutadas...


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