Porto do Rio Grande em 1908

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domingo, 10 de maio de 2026

O IMPERADOR E O BARRETE FRÍGIO (1893)

 

https://www.betoassef.com.br/peca.asp?ID=30303186&ctd=1313


Carta bilhete no valor de 80 réis e com a efígie do Imperador D. Pedro II. Foi lançada em 1889 no mesmo ano da Proclamação da República e da expulsão da família real do Brasil. Mas o que D. Pedro II está fazendo numa correspondência dos Correios em janeiro de 1893? 

A pressa em expulsar D. Pedro II do Brasil (teve apenas 24 horas para embarcar no navio com destino a Europa) e a repressão a possíveis defensores da Monarquia, esta agilidade, não se expressou na circulação das correspondências. Optou-se por utilizar o material já impresso pelo Império em vez de destruir as imagens que lembravam à população o personagem que governou o país por quase 50 anos. 

Porém, a contradição salta aos olhos ao observar a imagem de D. Pedro II e no lado oposto um selo republicano, apelidado de Tintureiro, que traz uma mulher com o barrete frígio: símbolo máximo da República e que recua a Revolução Francesa. O espírito do barrete esteve relacionado a decapitação de Luís XVI, Maria Antonieta e milhares de monarquistas na França. 

Na perspectiva histórica, a carta bilhete se converte num documento relevante que traz duas formas de governo antagônicas num período em que o Brasil fazia a transição tumultuada para a consolidação republicana: foram tempos da Revolta da Armada e da Revolução Federalista. 

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