Porto do Rio Grande em 1908

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quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

PEIXES DA AMAZÔNIA (1874)

 

https://www.brasilianaiconografica.art.br/obras/23960/einer-unserer-moxos-indianer

Detalhe de uma gravura de um livro em alemão publicado por Franz Keller-Leuzinger em 1874. Trata-se de uma viagem a áreas da Bolívia e da Amazônia Brasileira. 

Franz Keller-Leuzinger (1835-1890) foi um engenheiro, fotógrafo e desenhista alemão e um dos primeiros viajantes estrangeiros a documentar a Amazônia. Entre 1867 e 1868, percorreu junto com o seu pai que também era engenheiro, os rios Madeira, Amazonas, Mamoré e Guaporé. Um dos resultados da expedição foi publicar o livro Do Amazonas ao Madeira onde ficaram registros textuais e visuais de áreas ainda desconhecidas do público.  Maiores informações da biografia de Franz Leuzinger e da expedição podem ser obtidas em https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=25046


Na gravura que reproduzi acima, a legenda é "um de nossos índios Moxos" em referência a indígenas Moxos/Mojos cujo epicentro civilizatório era a planície de Beni na Bolívia mas se difundiram entre os rios Mamoré e Guaporé com deslocamento em áreas do Mato Grosso.

Os Moxos são da família linguística Arawak, desenvolveram a agricultura, obras hidráulicas para controle de inundações, construíram aldeias sobre aterros e, a partir de 1686, fundaram a primeira redução jesuítica que perduraram até a expulsão da Companhia de Jesus em 1767. 

Na gravura, o indígena está retornando de uma pescaria e o resultado faz parte da diversidade do pescado da região amazônica. 

A gravura é de mais de 150 anos no passado. 

O que podemos identificar em termos de espécies de peixes?

Vemos um peixe-cachorro (Hydrolycus scomberoidesou cachorra, um agressivo predador de escamas que pode chegar a quase um metro de comprimento e quase dez quilos. 


Uma arraia de água doce característica dos rios Amazonas e Tocantins. A gravura lembra uma arraia-olho-de-pavão (Potamotrygon motoro) que pode atingir um metro e pesar até 15 quilos. Esta espécie não está em risco de extinção e é objeto de desejo por aquaristas devido a sua beleza. As arraias exigem muito cuidado pelo ferrão e veneno que possuem no apêndice da cauda. 



O maior peixe do grupo é de couro, os "bagres amazônicos". A Amazônia possui espécies de grande porte que se colocam entre as maiores do planeta. Alguns exemplos são a Piraíba (que pode chegar a 300 quilos), Pirarara, Jaú, Pintado, Surubim, Cachara, Caparari, Jundiá etc. 

Como não tive a convicção na identificação dos detalhes da gravura com as imagens atuais de peixes amazônicos (não fecharam os detalhes com margem de segurança), não vou arriscar numa identificação desta espécie. 


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