Porto do Rio Grande em 1908

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sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

PALOMETA/PIRANHA EM RIO GRANDE

Fotografia: Luiz Henrique Torres, 17-02-2026, 16h30. 

Fisguei um peixe que jamais imaginei pescar... 

No dia 17 de fevereiro deste ano, estava pegando alguns peixe-cachorro ou tambica (peixe exótico, mas já radicado na região a mais de três décadas - Acestrorynchus pantaneiro). Os espécimes tinha um comprimento de 20 centímetros garantindo uma briga divertida ao usar um caniço leve. Eles eram transportados para o barranco e pouco depois já eram colocados de volta em seu habitat. Realizo a pesca esportiva de pegue e largue. 

Nova fisgada, lá vem o peixe-cachorro número 5... Porém, o formato era totalmente diferente. Ao chegar no solo observei os dentes inconfundíveis de uma Piranha ou Palometa. 

56 anos pescando e tive o desprazer de pela primeira vez fisgar o temido peixe que já está presente no município do Rio Grande. 

Trata-se de, segundo minha hipótese, da piranha amarela (Serrasalmus maculatus) habitante do Rio Uruguai, mas que tem se difundido por rios/cursos de água do Rio Grande do Sul. Na década de 1970, meu pai pescou um exemplar pequeno no Rio Toropi ou Ibicuí-Mirim (memória em dúvida) na região de Santa Maria. 

O espécime que pesquei é adulto e tem 25 centímetros de comprimento. Conversei com um pescador que chegou ao local e ele ainda não tinha visto este peixe. Porém, outro pescador, já pegou dois exemplares naquela área. 

Relatos tem se multiplicado sobre o aparecimento de piranhas no Lago Guaíba e na Lagoa/Laguna dos Patos. Elas já estão no estuário da Lagoa e adentraram nestes berçários de reprodução de peixes e camarão. No caso, eu estava num curso de água próximo a uma ponte na Estrada da Quitéria na direção da Ilha da Torotama. Este curso que pode ser um pequeno arroio (a definir) deságua no Saco da Quitéria e na margem oposta está a Ilha dos Marinheiros. 

Local onde a Piranha foi pescada. Fotografia: Luiz Henrique Torres, 17-02-2026, 16h30. 


Fotografia: Luiz Henrique Torres, 17-02-2026, 16h30. 

*Não devolvi o peixe para a água. Ele não deve voltar ao convívio com os peixes nativos por ser um invasor agressivo. Está isolado em um aquário em casa.  

Artigo recente do periódico Ocean Coast (2025) aborda a invasão de duas espécies de palometas/piranhas na Lagoa dos Patos. O El Niño de 2023/2024, a Grande Enchente de 2024 podem ter dispersado esta espécie que já estava presente no Lago Guaíba e norte da Lagoa em direção ao sul da Lagoa dos Patos. 

O artigo alerta: "Considerando o potencial invasor dessas espécies, a presença de indivíduos sexualmente maduros e as características da Lagoa dos Patos com um mosaico diversificado de habitats adequados para peixes de água doce, medidas preventivas são importantes para evitar um processo invasivo, que poderia ter sérias consequências ecológicas e econômicas para o sistema da Lagoa dos Patos e sua rica biodiversidade".

Segue o link para leitura da publicação: https://www.scielo.br/j/ocr/a/WjPBFRppC3HLhPvxM9xzRVR/?format=html&lang=en

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