Porto do Rio Grande em 1908

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quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

O PERDIGUEIRO DESAPARECIDO (1852)

 

https://memoria.bn.gov.br/DocReader/docreader.aspx?bib=712248&pesq=&pagfis=4

Anúncio do desaparecimento, no dia 11 de novembro de 1852, de um cachorro perdigueiro na cidade de Porto Alegre. 

Quem o encontrasse poderia entregar na rua de Bragança na Botica (estabelecimento semelhante a farmácia) do Sr. Feliciano. 

Chamou a minha atenção colocar em jornal, no caso O Mercantil (Porto Alegre) o anúncio do desaparecimento de um cão ocorrido a 173 anos. Outro aspecto foi tratar-se da raça perdigueiro

A raça perdigueiro português tem registros em Portugal a cerca de mil anos. "A sua figura está representada entre outros numa lápide sepulcral visigótico-moçárabe da Igreja de S. João Baptista de Tomar (Séc. X), no Testamento Veteres de SªCruz de Coimbra (Séc.XII) e no Génesis de uma Bíblia portátil do Séc.XIII (Biblioteca Nacional de Lisboa). Desde o rei Afonso III (1248-1279) que aos cães destinados a caçar aves, era dado o nome de podengos de mostra, designação que permanece hoje em Espanha onde o cão de parar é conhecido por "perro de muestra" [Ordenações, 1261 - "...e os açoreiros que levem os podengos..."]. No Livro de Montaria de D. João I (1357-1433) é mencionado igualmente como podengo de mostra, ou seja um cão de "pés grandes" ( do grego podos - podengo), que evidenciava capacidade de parar perante a caça gozando de grande prestígio entre os seus utilizadores (A História do Perdigueirohttp://www.canildetorres.com/aahistoria).

Não encontrei fontes aprofundadas sobre a chegada da raça perdigueiro no Brasil. 

A hipótese é que, desde o século XVI, começaram a ser enviados nas caravelas portuguesas e se fizeram presente, mesmo que esporadicamente, no Brasil Colônia e Império. 

De forma mais explícita, por volta de 1770, há uma imagem que mostra cinco perdigueiros numa caçada realizada no Brasil: "O documento em causa é uma aquarela de Joaquim José de Miranda, (42,5 cm X 55 cm) da Colecção de Beatriz e Mário Pimenta Camargo, intitulada «Cena da Expedição (ao Brasil) do Coronel Afonso Botelho de Sampaio e Sousa - 1768-73». Ilustra a página 2 do livro «Cotidiano e Vida Privada na América Portuguesa» Ed. Companhia das Letras-Brasil" (http://www.canildetorres.com/artperdigueirosbrasil.html).

Joaquim José de Miranda. Cena da expedição do Cel. Afonso de Sampaio e Souza (1768-1763).

Antes do perdigueiro de Porto Alegre, que não se sabe se foi encontrado, muitas gerações desta raça já conviviam no Brasil. 

Recordo com carinho da Diana, cachorra perdigueiro que era do meu pai. Era dócil e, quando criança, eu brincava com ela. Só agora fiquei sabendo que vinha de uma raça tão antiga que remontava a algumas regiões da Península Ibérica, em terras de Portugal. 

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