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| https://www.filatelicamgleiloes.com.br/peca.asp?Id=6521754 |
Belo exemplar de um Olho de Boi de 60 réis com carimbo da cidade do Rio Grande de março de 1844.
O selo Olho de Boi foi emitido pelo Império do Brasil a partir de 1º de agosto de 1843. O Brasil foi o segundo país do mundo a emitir selos postais e estes selos nos valores de 30, 60 e 90 réis são o desejo de consumo de filatelistas de todo o mundo.
Uma fantasia, difícil de ser realizada, é ter acesso a uma caixa repleta de cartas preservadas de um avô que recebeu de seu pai ou avô... E dentro encontrar cartas brasileiras da primeira metade da década de 1840 que estejam com este selo bem conservado e com o respectivo carimbo nítido. Uma fantasia que um número ínfimo de filatelistas viram se tornar realidade. Estas descobertas são muito difíceis de acontecer.
Quem quer conhecer mais sobre estes selos convido para fazer a leitura abaixo:
"Os Olhos de boi são considerados a terceira emissão de selos do mundo, contudo, sendo os selos do Cantão de Zurique somente para uso local, o Brasil detém a honra de ser o segundo país do mundo a emitir selos postais – apenas após o Penny Black, da Inglaterra Vitoriana. Certamente é também o primeiro país das Américas a fazê-lo. A autorização para seu uso foi em 1º de agosto de 1843. Apresentam os números referentes aos portes (30, 60 e 90 réis) desenhados sobre um fundo preto em arabescos, no formato de elipse, próxima do círculo. A partir de tal formato originou-se o apelido de Olho de boi, pela semelhança atribuída.
Voltando um pouco no tempo, o Artigo 17 da Lei No 243 autorizou a reforma dos correios. Em 1842, o Congresso brasileiro elaborou uma reforma postal visando reduzir os valores das taxas postais. Todos os objetos postais seriam taxados conforme seu peso, sem considerar as distâncias percorridas. Com isso, objetos de até 15 gramas seriam taxados em 60 réis por terra e 120 réis por mar e, acima deste peso, em 90 réis. Impressos e objetos do Judiciário seriam taxados em 30 réis. Em 29 de novembro deste ano, decretou-se que o pagamento do porte de objetos postais seria feito antecipadamente. Para tal pré-pagamento, selos nos valores de 30, 60 e 90 réis seriam emitidos. Até então, o pagamento era realizado pelo destinatário e houve certa revolta – como sói ocorrer em todas as mudanças. Ao contrário dos Penny Black, que traziam a efígie da Rainha, considerou-se inadequado que nossos primeiros selos trouxessem a figura do Imperador D. Pedro II. As razões foram o fato de que a efígie não deveria estar em algo que, após seu devido uso, potencialmente seria descartado no lixo, porém, havia razões técnicas: haveria a necessidade de um artista e de gravadores altamente hábeis e a efígie seria passível de falsificações.
Assim, a decisão foi por uma emissão de numerais. Havia a disponibilidade de uma máquina gravadora que, transferida para cilindros, permitiu a produção das placas trazendo os famosos e belos arabescos dos Olhos de boi. Em 23 de fevereiro de 1843, as placas de impressão, em cobre macio, foram encomendadas e, em cerca de dois meses, produzidas, contendo 18 exemplares de cada valor – 30, 60 e 90 réis. Em 29 de abril de 1843, foi apresentada ao Presidente do Tesouro. Acredita-se que seis placas tenham sido feitas, sendo duas com 18 selos de 30, 60 e 90 réis, uma com os 54 selos sendo de 30 réis e as outras três placas com 54 selos de 60 réis em cada. Com isso, selos de 90 réis estavam presentes somente nas duas placas com selos compostos.
Com isso, acredita-se que foi impressa a seguinte tiragem: 30 réis, 1.148.994 selos; 60 réis, 1.502.142 selos; e 90 réis, 349.182 selos. A Bahia foi a província que recebeu o maior número de selos. Os Olhos de boi foram substituídos pelos “inclinados”, emitidos a partir de julho de 1844 e, em 30 de março de 1846, os exemplares remanescentes (466.711 selos) foram intencionalmente recolhidos e destruídos. Como não eram picotados, os Olhos de boi eram cortados a tesoura pelo funcionário dos correios antes de serem vendidos aos usuários. Os primeiros selos picotados do Brasil datam de 1866.
Todo filatelista de selos do Brasil deseja ter os Olhos de boi. Muitos são seus estudiosos, interessando-se por conjuntos e blocos de selos, bem como por fragmentos e sobrecartas. Dentre os conjuntos, há os célebres xifópagos, peças interligadas nos diversos valores. Além disso, existem variedades por impressões a partir das chapas gastas ou mesmo falhas por dobras de papel, além de outras. Poucas são as grandes peças remanescentes, como: bloco de nove selos de 30 réis; folha completa com selos novos de 60 réis; um panô com 18 selos de 60 réis; e quatro panôs com 18 selos de 90 réis. O Pack Strip composto por dois selos de 30 réis e um de 60 réis, tornou-se assim conhecida por ter pertencido ao colecionador de Chicago Charles Lathrop Pack.
Até 1860, não existiam envelopes e o papel com o manuscrito era dobrado, antes de ser remetido. Com isso, muitas vezes, o próprio selo servia de fecho para as cartas, ou seja, eram rasgados por quem as recebia para poder ler seu conteúdo. Os carimbos neles aplicados durante seus dois a três anos de uso são um atrativo à parte. Apesar de seu curto período de circulação, há uma variedade impressionante de marcas postais neles utilizadas, com diferentes graus de raridade. Dos 117 diferentes carimbos descritos, onze são considerados comuns e 68 são raríssimos. A maioria apresenta o carimbo “Correio Geral da Corte”.
É difícil responder “quanto vale um Olho de boi”. Na verdade, não se trata de um selo raro. O valor comercial depende de alguns fatores: qual dos três selos-tipo é, se está novo ou usado, seu estado de conservação, inclusive no que se refere às margens ao redor da moldura, se for carimbado, qual carimbo foi aplicado etc.
Os Olhos de boi, verdadeira joia da filatelia brasileira, são famosos em todo o mundo, a ponto de serem objetos de falsificações. São um verdadeiro embaixador de nosso País há 180 anos e o símbolo máximo de nossa filatelia".
Referências:
Ayres P. Cancellations on bull eyes. London Philatelist; 1939.
Brookman LG. Bulls eyes stamps of Brazil. Handbook of The American Philatelic Society; 1943.
Meyer P. Catálogo Enciclopédico de selos do Brasil. São Paulo: RHM; 1999.
Texto: Prof. Dr. Rogério A. Dedivitis - Presidente da Federação Brasileira de Filatelia (FEBRAF).
Fonte: https://www.correios.com.br/educacao-e-cultura/filatelia/arquivos/editais-2023/6_180_anos_olho_de_boi
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