| Almanak Literário e Estatístico do Rio Grande do Sul para 1891. https://memoria.bn.gov.br/ |
Esta é uma história ou estória (?) contada por Eduardo Wilhelmy de Pelotas, possivelmente, por volta de 1890 ou um pouco antes.
O cenário é o Rio Camaquã no Passo do Mendonça, atual município do Cristal, na altura da ponte da BR-116 (km 130) sobre o Rio Camaquã. O local não é distante do Parque Histórico General Bento Gonçalves.
Wilhelmy e um companheiro, num dia de outono de vento minuano e ao entardecer, tentou atravessar o Rio Camaquã no Passo do Mendonça onde havia um barqueiro que não observou a chegada dos viajantes. A dupla lançou a carroça puxada por dois cavalos nas águas e avançaram até o meio do rio onde as rodas enterraram na areia. Os animais estagnaram e surgiu a ideia de tocar músicas numa gaita para incentivá-los a continuar até a outra margem. E funcionou com os cavalos quase chegando na outra margem quando uma roda soltou. Continuaram a tocar a gaita quando o barqueiro se aproximou dos viajantes encharcados e os salvou da difícil situação.
Como o barqueiro percebeu a presença dos "náufragos"? "Meu filho que andava a caça de capivaras, voltou assustado, dizendo que ouvira música ou gemidos das almas do outro mundo, quando passava perto daqui. Eu, que não creio em almas, nem em bois-tatás, montei o cavalo e a pouco e pouco pude distinguir que era música de gaita e bem tocada".
A música funcionou parcialmente com os cavalos e melhor ainda com o barqueiro. E Wilhelmy refletiu: "Ó música, bela filha do céu, quem não há de adorar-te!".
Vale a pena ler a história na íntegra. É um fragmento das andanças e desafios pelo interior do Rio Grande do Sul.
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