Porto do Rio Grande em 1908

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segunda-feira, 27 de outubro de 2025

A MISSÃO DO HISTORIADOR (1889)

 


O professor e escritor Bernardo Taveira Junior (Rio Grande, 1836 - Pelotas, 1892) publicou esta abordagem sobre a missão do historiador. 

Em seu tempo, o trabalho de historiador era exercido por intelectuais dedicados a pesquisa histórica sem formação no campo da História. Advogados, militares, religiosos, médicos etc, assinavam como historiador. 

O elemento central de Taveira Junior era a missão do historiador como "nobre e elevada", apesar de "difícil e espinhosa". A atividade requer "talento e variada ilustração", além de "muita integridade de caráter, muita solidez de raciocínio e um profundíssimo senso crítico". 

Não havia especialização para as pesquisas em História e os posicionamentos pessoais, políticos, partidários e ideológicos poderiam conduzir a investigação para considerações que comprometeriam "a seriedade da ciência". 

Louvável reflexão relativa ao "senso crítico" e ao "espírito científico". Nem todo o arsenal de profissionalização e edificação do saber científico obtido pela Ciência Histórica no último século, parece garantir no presente que não haja intromissão da subjetividade na interpretação dos processos históricos. 

Como ressaltou Taveira Junior, "todo aquele que prezar os foros de historiador deve, por amor a ciência e culto a verdade, abstrair-se de toda a eiva pessoal, doutrina de opinião e preocupação nacional...". 

O texto foi publicado no Almanak Literário e Estatístico do Rio Grande do Sul para 1889. Portanto, são 136 anos no passado. E continua uma reflexão atual. 

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