| Luiz Henrique Torres. Criado com Meta AI, 02-08-2025, 21h. |
Para uma noite tempestuosa de Agosto, enquanto os trovões se aproximam e os clarões se tornam mais intensos, vasculhei o baú de poemas mal escritos e encontrei este que está em sintonia com o temporal que se avizinha.
Foi escrito na cidade de Santa Maria em 17 de abril de 1983 e nunca veio a luz do mundo (para felicidade da humanidade). Um cálice de vinho do Porto produz maravilhas e a censura literária foi superada num lapso de tempo suficiente para sua divulgação.
NOITE TEMPESTUOSA
Numa noite tempestuosa de abril
cheguei junto a janela
e fitei com êxtase o céu
tumultuado pela passagem de nuvens.
Havia um fundo negro, obscuro,
que facilitava a visão da passagem rápida
de nuvens fantasmagóricas
que impulsionadas pelo vento,
dissolviam-se tal qual os meus pensamentos.
E porque não numa noite melancólica,
onde a paz da natureza em fúria
é capaz de trazer os mais profundos
- e os mais supérfluos pensamentos do cotidiano-,
descrever esta paisagem distorcida
- mas ao mesmo tempo tão bela -,
quanto um pensamento de inverno!
Afogado por ideias tortuosas
que o dia-a-dia só reforça,
é que me observei como um adormecido:
um pouco de tédio e um pouco de fascínio,
louvando a aurora de uma negra noite,
de uma linda noite tempestuosa.
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