| Meta AI. Criado na madrugada de 03/08/2025. |
Ao longo de nossa trajetória de vida temos diferentes momentos existenciais e percepções sobre o mundo e frente à imagem que observamos no espelho na hora de escovar os dentes. Se por um lado a forma como pensamos vai mudando e o envelhecimento em nosso rosto é perceptível, por outro lado, as memórias estão vivendo atemporal e silenciosas em caixinhas de lembrança em nosso cérebro - parecem não envelhecer.
Um texto escrito pode desencadear a circulação destas imagens atemporais para o tempo presente. Estas imagens pretéritas parecem muito vívidas e podem até nos assustar frente a forma como pensávamos sobre a vida no passado.
Ainda mais num tempo em que o mundo exterior era apenas uma especulação (sondagens mentais) frente a toda trajetória de desafios, felicidades e infelicidades, que tivemos pela frente ao longo das décadas.
As ruas, as casas, as vozes, os rostos, os olhares, as expectativas e frustrações, os pensamentos, tantas décadas depois, continuam vivos dormitando dentro de nós. Essa foi a minha experiência ao ler estes manuscritos em que tirei alguns breves fragmentos de temporalidades que me fascinam e assustam.
"Poemas são documentos das viagens da emoção ao longo do tempo" (1997).
"Quando a tarde torna-se cinza
e a chuva torrencial cobre os sons,
respiro a melodia que emana dos meus passos
no bater incessante das teclas
da minha máquina de escrever" (1982).
"Mas tudo ficou tão triste
a fantasia perdeu o brilho
e a vida foi se tornando obscura:
não se apagou porque a desejei.
E a desejei pelo medo
de jamais voltar a desejar" (26/06/1983).
"Sensualidade é uma noite de inverno
em que o frio envolve os pensamentos" (23/02/1984).
"Não sei se é a paisagem que da luz a emoção
ou se a emoção aprisionada
transmite a paisagem o sentimento,
pouco importa,
só sei que naquela noite
todo o ar era incenso" (11/03/1984).
"A bebida apenas me entorpece
são os pensamentos que me embriagam.
É preciso que o clima se torne assim:
brando, calmo, maduro...
para que eu possa escrever" (15/11/1984).
"A paixão com que abracei a poesia
lembrava a dormência de um crepúsculo
o movimento sedutor de um início de noite" (25/05/1985).
"O último entardecer de outono é hoje
amanhã brotará da névoa o aroma de inverno,
e depois serão dias frios e nebulosos:
apenas hoje as folhas flutuam pelo ar (20/06/1985).
"Deixa eu descansar por um momento
no balanço doce do teu pensamento
quero lançar este torpor suave
a toda paisagem e coisa viva" (21/06/1985).
"Pudesse sintetizar o dia
palpitar no anoitecer das sombras
poder desvelar a compreensão última
da latente sensação de existência" (20/02/1987).
"Eu recordo das palavras de Baudelaire
que embriagavam minha alma.
Sua poesia sobre o vinho
e ainda não sei se era -o poema ou o poeta-
que me faziam flutuar" (19/07/1987).
"Novamente ouço a voz dos fantasmas
são sons que vem do passado
e que silenciosamente,
fico escutando nestas frias paredes" (03/06/1988).
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