Porto do Rio Grande em 1908

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domingo, 3 de agosto de 2025

FRAGMENTOS POÉTICOS

Meta AI. Criado na madrugada de 03/08/2025. 

A noite tempestuosa fez florescer o desejo de reler antigas anotações que escrevi no passado. Algumas recuam a mais de quarenta anos. São recortes de textos maiores que resumi em fragmentos nesta postagem. 

Ao longo de nossa trajetória de vida temos diferentes momentos existenciais e percepções sobre o mundo e frente à imagem que observamos no espelho na hora de escovar os dentes. Se por um lado a forma como pensamos vai mudando e o envelhecimento em nosso rosto é perceptível, por outro lado, as memórias estão vivendo atemporal e silenciosas em caixinhas de lembrança em nosso cérebro - parecem não envelhecer. 

Um texto escrito pode desencadear a circulação destas imagens atemporais para o tempo presente. Estas imagens pretéritas parecem muito vívidas e podem até nos assustar frente a forma como pensávamos sobre a vida no passado.

 Ainda mais num tempo em que o mundo exterior era apenas uma especulação (sondagens mentais) frente a toda trajetória de desafios, felicidades e infelicidades, que tivemos pela frente ao longo das décadas.

 As ruas, as casas, as vozes, os rostos, os olhares, as expectativas e frustrações, os pensamentos, tantas décadas depois, continuam vivos dormitando dentro de nós. Essa foi a minha experiência ao ler estes manuscritos em que tirei alguns breves fragmentos de temporalidades que me fascinam e assustam. 

 

"Poemas são documentos das viagens da emoção ao longo do tempo" (1997). 


"Quando a tarde torna-se cinza

 e a chuva torrencial cobre os sons, 

respiro a melodia que emana dos meus passos

no bater incessante das teclas

 da minha máquina de escrever" (1982).


"Mas tudo ficou tão triste

a fantasia perdeu o brilho

e a vida foi se tornando obscura:

não se apagou porque a desejei.

E a desejei pelo medo 

de jamais voltar a desejar" (26/06/1983).


"Sensualidade é uma noite de inverno

em que o frio envolve os pensamentos" (23/02/1984).


"Não sei se é a paisagem que da luz a emoção

ou se a emoção aprisionada 

transmite a paisagem o sentimento,

pouco importa, 

só sei que naquela noite 

todo o ar era incenso" (11/03/1984). 


"A bebida apenas me entorpece

são os pensamentos que me embriagam.

É preciso que o clima se torne assim:

brando, calmo, maduro... 

para que eu possa escrever" (15/11/1984). 


"A paixão com que abracei a poesia

lembrava a dormência de um crepúsculo

o movimento sedutor de um início de noite" (25/05/1985).


"O último entardecer de outono é hoje

amanhã brotará da névoa o aroma de inverno,

e depois serão dias frios e nebulosos:

apenas hoje as folhas flutuam pelo ar (20/06/1985). 


"Deixa eu descansar por um momento 

no balanço doce do teu pensamento

quero lançar este torpor suave 

a toda paisagem e coisa viva" (21/06/1985).


 "Pudesse sintetizar o dia 

palpitar no anoitecer das sombras

poder desvelar a compreensão última

da latente sensação de existência" (20/02/1987).


"Eu recordo das palavras de Baudelaire 

que embriagavam minha alma.

Sua poesia sobre o vinho

e ainda não sei se era -o poema ou o poeta-

que me faziam flutuar" (19/07/1987). 


"Novamente ouço a voz dos fantasmas

são sons que vem do passado

e que silenciosamente,

fico escutando nestas frias paredes" (03/06/1988). 

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