| Júlia Lopes de Almeida. |
Em sua estadia em Pelotas no mês de maio de 1918, a escritora Júlia Lopes de Almeida deixou esta brilhante reflexão sobre o processo de envelhecimento físico.
"De todas as brasileiras é talvez a riograndense a que melhor sabe guardar na velhice uma certa graça e uma frescura de espírito que tornam a sua presença sempre atraente e agradável.
Em geral, nós não sabemos envelhecer.
Aceitamos como um estigma os sinais que o Tempo, com mão inexorável traça em nosso rosto.
Humilhadas, tratamos de apagar-nos, como se tivéssemos culpa da transformação física de que somos vítimas. Por essa espécie de pudor das rugas, em que a nossa vaidade se sente espezinhada, mais do que por qualquer outra razão, são raras as senhoras velhas que sejam interessantes, que tenham opiniões, saibam defende-las e encham de sorridente amenidade uma hora de palestra em um salão.
E é tão leve e tão bonita, essa exuberância de vida que prolonga até aos dias da maior decadência física, um clarão de mocidade intelectual e moral!".
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