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Rua do centro do Rio de Janeiro em card da Liebig Company's Fleisch-Extract. A data remete ao ano de 1901.
Imagem em cromolitografia editada na Alemanha.
Um estrangeiro caminha enquanto várias mulheres negras estão praticando a quitanda.
A imagem retratada seria mais coerente até a década de 1870-1880 como se constata nas belíssimas fotografias de mulheres e homens negros realizadas em estúdio por Alberto Henschel e Marc Ferrez . Sendo 1901 estamos a mais de uma década do fim da escravidão e a inserção no vestuário da belle époque vai trazendo padronização no vestir (claro, adaptando ao poder aquisitivo). Comparando com fotografias do início do século XX, a imagem lembra cenários do período colonial/imperial (Debret ou Rugendas). Especialmente, se observa a ausência do uso de sapatos pelas mulheres o que era um sinônimo de escravidão.
A estrutura da escravidão foi tão consolidada que na Europa poderiam ainda associar o Brasil a um país escravista que estava congelado no tempo. Remetendo novamente ao card, vemos as quitandeiras expressando olhares e sorrisos de felicidade e ao fundo, dissociados do primeiro plano, pessoas em carruagem e cavalos em condição privilegiada e distante.
A imagem construída é uma representação da naturalidade do afastamento e dos locais sociais supostamente perenes e inflexíveis num mar revolto de desejos!
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