Os selos da Varig, empresa sucessora da
Condor Syndicat na Linha da Lagoa, ajudaram a preservar o mito da empresa de
aviação que foi fundada em Porto Alegre em 1927. Parte considerável dos
acionistas que possibilitou a criação da empresa estavam sediados em Rio Grande
que era um polo industrial e do comércio de exportação e importação.
Susana Gastal, conta um pouco da história a
emissão de selos postais pela Varig. Alguns breves trechos foram retirados do
artigo “Ações comunicacionais e transporte aéreo no Brasil: Os passos iniciais
da Varig”. XXXII Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação – Curitiba, PR
– 4 a 7 de setembro de 2009.
Conforme Gastal, a implantação do transporte
aéreo no Brasil e na América Latina, como colocado até aqui, se deu com apoio
público, pois havia carências estruturais que iam da falta de aviões à ausência
de pistas de pouso e hangares para carga e passageiros. O apoio oficial estava
associado a concessões para Correio Aéreo, cujos custos eram ressarcidos às
empresas, com a edição e venda de selos. No caso da Varig, há um adicional
importante nesses termos, pois Oto Meyer, seu criador e primeiro presidente,
seria filatelista e, parece, já teria clareza em relação a esse importante
mercado colecionador. Pela norma governamental de 1927, quem recebesse a
concessão de Correios poderia cobrar além da taxa postal, a ser encaminhada ao
governo, uma taxa de pelo transporte aéreo. A mesma norma autorizava as
empresas a imprimir selos como forma de coletar fundos para ressarcimento de
seus serviços; provisoriamente, poderiam utilizar carimbos ou outros, para identificar
pacotes e envelopes, considerados pré-estampas. Enquanto parceira da Condor,
também os selos das duas empresas eram conjuntos. Nos selos Condor, a bandeira
brasileira servia de fundo e havia, sobre ela, a figura de um condor.
Já em 15 de junho de 1927, quando a Linha da
Lagoa é inteiramente assumida pela Varig, a nova empresa utiliza carimbos na
forma de triângulo provisórios, com a inscrição “O futuro do Brasil depende de
suas comunicações”. A frase, alias, é a mesma que constava dos carimbos da Condor
Sindicato. Os primeiros selos da Varig foram impressos na Alemanha, pela
Reichsdruckerei, de Berlim, em 13 de maio de 1927. As cores dos selos iam do
verde escuro ao verde mar, conforme a impressão, e continuavam trazendo a
bandeira brasileira, agora sem o condor. Foram postos em circulação a partir de
5 de novembro do mesmo ano. Na mesma ocasião, os carimbos são abolidos.
Estando prestes o esgotamento dos selos
fornecidos pela Reichsdruckerei de Berlin e como continuassem em vigor as
primitivas instruções para execução do serviço postal aéreo no Brasil, resolveu
a Varig mandar confeccionar selos provenientes de desenhos novos,
exclusivamente próprios para seu transporte. Solicitada e conseguida a
permissão da Diretoria Geral dos Correios, foi incumbida do serviço novamente
(sic) a Livraria do Globo, que executou da seguinte forma: desenho: E.Zeuner,
que apresentou 4 sugestões, três das quais foram afastadas por uma comissão de
funcionários da Varig. O desenho escolhido tem as seguintes características:
imediatamente abaixo da borda superior lê-se a palavra: Varig; no centro, um
Ícaro (emblema da Varig) dentro de 4 círculos concêntricos sobre fundo claro;
sobre a borda inferior e compondo 2/3 da largura lê-se: “Serviço Postal Aéreo
no Brasil”, ficando no espaço restante, o valor em reis.
Em 1931, os selos passam a ser impressos na
Editora Globo, em Porto Alegre. O uso de selos pela Varig foi, de forma
descontínua, até 1 de julho de 1934.
Os filatelistas, desde o início das emissões,
passaram a disputar estes selos que persistem valorizados até o presente.





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