Porto do Rio Grande em 1908

Porto do Rio Grande em 1908

terça-feira, 10 de dezembro de 2019

O ESCÂNDALO DA ÁGUA

Acervo: Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro. 

        A edição do dia 12 de março de 1882 do jornal caricato e literário Marui se debruçou sobre a crise da falta de água que a cidade do Rio Grande estava passando. Historicamente, ocorreu a água era recolhida ou comprada de aguadeiros e retirada de poços distribuídos pela cidade. Especialmente, os poços da Praça Tamandaré. Com a criação da Companhia Hidráulica Rio-Grandense, em 1870, os poços vão sendo fechados e a água tinha de ser comprada nos chafarizes instalados em quatro praças da cidade. Em outros casos, o consumidor poderia receber a água em sua residência no sistema de "penas". 
      Porém, o surgimento da Companhia Hidráulica foi motivo para fricções e conflitos frente ao custo do fornecimento da água e pela falta do produto em determinados períodos. De fato, a cidade tinha cerca de 17 mil habitantes em 1870 e no final daquele século chegou a 30 mil. O fornecimento de água será um dos mais graves problemas enfrentados pela municipalidade num cenário em que em 1918, a cidade já avançou para 44 mil habitantes e o crescimento persistia. 
      No ano de 1882, a discussão estava relacionada a dois fatores, conforme a matéria acima: o aumento de 25% no preço da água. Para o baixo padrão de renda médio desta época e os níveis baixos de inflação, este percentual era exorbitante para a população. O jornal, indignado, chega a "amaldiçoar" os responsáveis por "extorquir a paupérrima humanidade", impossibilitando-a de beber água. 
       Outros fatores de indignação, expressos no periódico, veremos em postagens posteriores.     

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