Porto do Rio Grande em 1908

Porto do Rio Grande em 1908

domingo, 22 de março de 2026

A ESTIAGEM NA LAGOA DAS NOIVAS

Interior seco da Lagoa das Noivas. Luiz Henrique Torres, 18-03-2026. 

Quem mora na área urbana acaba até ignorando os efeitos da estiagem que está ocorrendo no município do Rio Grande. 

Ao transitar na área rural se observa os pequenos açudes ou poços que secaram devido a falta de chuva e ao sol intenso que acelera a evaporação. 

Um local crítico para observar o efeito da estiagem é na Lagoa das Noivas na Ilha dos Marinheiros.  

No dia 18 de março a Lagoa se encontrava totalmente seca! 

A Lagoa das Noivas tem cerca de 3,5 km de extensão por aproximadamente 600 metros de largura média. Considero uma profundidade média de 1 metro: o resultado são aproximadamente 2,1 bilhões de litros de água! Ou seja, cada morador do planeta Terra (que hoje é de 8 bilhões de pessoas), poderia beber um copo de 250ml para que a água da Lagoa esgotasse. 

Nos últimos seis meses, em cinco deles, Rio Grande registrou uma redução nas chuvas que chega a 40% que a média histórica. A EMATER já está calculando os prejuízos nas lavouras de grãos do Rio Grande do Sul com quebras significativas na soja e milho.   

As fotografias foram realizadas dentro da Lagoa das Noivas e mostram a amplidão da área que está seca: 

No interior da Lagoa onde a água chegava a 1,5 metros de profundidade. Acervo: Luiz Henrique Torres. 




Patas das aves no barro. 



Vista da Lagoa a partir das dunas. 

ARMAZENS RAMALHETE

 

https://www.filatelicajungesleiloes.com.br/peca.asp?Id=27194630

Cartão dos Armazens Ramalhete na cidade do Rio Grande cerca de 1905-1910. 

A casa comercial foi fundada em 1880 e desenvolveu estratégias para atrair clientela por meio de anúncios em jornal (agressivos em relação a concorrência) e até com este cartão mostrando a fachada do prédio localizado na Rua Benjamin Constant esquina com 20 de Fevereiro (atual Rua Luiz Loréa). Cartão comercial que poderia ser utilizado como postal não era uma estratégia comum na cidade. 

Cuidados foram tidos até para a fotografia: colocaram várias pessoas em poses para dar a noção de frequência no Ramalhete que vendia confecções, miudezas e vasta gama de produtos. 


https://www.filatelicajungesleiloes.com.br/peca.asp?Id=27194630

SELOS RIO GRANDE DO SUL (1876)

 

https://leiloes.filatelicabh.com.br/peca.asp?Id=21168732

Observamos dois selos D. Pedro II barba branca percê emitidos a partir de julho de 1876. 

O carimbo RIO GRANDE DO SUL corresponde ao correio da cidade do Rio Grande. A data que circulou a correspondência não foi identificada. 

sábado, 21 de março de 2026

CARTÃO E SELOS

 

https://www.delcampe.net/en_GB/collectables/postcards/brazil/other/carte-gaufree-affonso-penna-presidente-nilo-pencanha-vice-presidente-representation-de-timbres-2423564193.html

Cartão-postal destacando o Presidente Afonso Pena (governou entre 1906-1909) e o Vice-Presidente Nilo Peçanha (assumiu a presidência entre 1909-1910). 

Selos da série Alegorias Republicanas (impressos pelo American Bank of Note) foram reproduzidos. Estes selos foram lançados em 1906. 

Data hipotética de lançamento do cartão: 1908. 

sexta-feira, 20 de março de 2026

ESTABELECIMENTO GRÁFICO V. STEIDEL & C. (1896)

 

https://memoria.bn.gov.br/DocReader/docreader.aspx?bib=829625&pesq=&pagfis=224

Anúncio no Almanach (Paris) de 1896. 

Trata-se do Estabelecimento Gráfico e Litográfico de V. Steidel & C. na cidade de São Paulo. 

Este Almanach francês era importado e vendido em cidades brasileiras. Isto explica o fato de anúncios de empresas do Brasil serem aí publicados. 

Victor Vergueiro Steidel era filho de imigrante alemão radicado em São Paulo. Victor estabeleceu sua gráfica no Largo Municipal com destacada produção gráfica. Foi um dos pioneiros dos cartões-postais no Brasil tendo produzido uma série de 27 postais de São Paulo no modelo Gruss aus hipoteticamente editados em agosto de 1897. 

Exemplo de um dos cartões da série lançada por Steidel:

https://www.bvcolecionismo.lel.br/peca.asp?ID=7640779

quinta-feira, 19 de março de 2026

LINHA RIO GRANDE A BAGÉ (1894)

 

https://memoria.bn.gov.br/DocReader/docreader.aspx?bib=829684&pesq=&pagfis=65

Almanach Popular Brasileiro para o ano de 1894 (Livraria Universal - Pelotas e Porto Alegre)

A Estrada de Ferro com a Linha Rio Grande a Bagé foi inaugurada em 1884. 

Uma década após, podemos observar o preço das passagens, as estações e os horários do trem que partia da Estação Marítima (em Rio Grande), de segunda a sábado às 7 horas da manhã e chegava a Bagé às 17h15. Portanto, eram cerca de dez horas de viagem para percorrer cerca de 200 quilômetros. Isto não significa que o trem tinha a velocidade máxima de 20km/h e sim, que eram muitas estações de parada para movimentação de passageiros e cargas.

quarta-feira, 18 de março de 2026

PELOTAS NA EXPOSIÇÃO DE 1901

 

https://www.filatelicajungesleiloes.com.br/peca.asp?Id=27381492

Cartão-postal do Atelier Huhnfleisch com manuscrito de 15 de maio de 1901. 

Este é o pavilhão da cidade de Pelotas na Exposição Agropecuária e Industrial do Rio Grande do Sul de 1901 realizada em Porto Alegre. 

A exposição foi inaugurada em 24 de fevereiro no atual Parque Farroupilha. Foi encerrada em 2 de junho e o público circulante foi de 670 mil pessoas. Sessenta municípios e 2.200 expositores participaram. 

ATELIER FONTANA & IRMÃO

 

https://www.avenidalivros.com.br/peca.asp?ID=17233932&ctd=492

https://www.avenidalivros.com.br/peca.asp?ID=17233932&ctd=492

Carte de visite do Atelier Fontana & Irmão da cidade do Rio Grande mostra um casal posando para a fotografia. Datação hipotética: década de 1890. 

Atelier Fontana, estabelecidos em Rio Grande no ano de 1882,  é um dos mais renomados retratistas estabelecidos na cidade desde a década de 1840. Inúmeras fotografias mostrando vistas da cidade (ruas e prédios) e do balneário Cassino foram realizadas por este Atelier fotográfico.  

terça-feira, 17 de março de 2026

CARTÃO-POSTAL DE ITAJAÍ (1908)

 

https://www.filatelicajungesleiloes.com.br/peca.asp?ID=27936943&ctd=490

A utilização da bandeira nacional e de selos foi comum em algumas séries de cartões-postais dos primórdios dos 1900. 

Neste cartão editado por Eugen Currlin de Blumenau, observamos um detalhe a mais: uma cena da Rua Dr. Lauro Müller em Itajaí (Santa Catarina). 

O manuscrito do cartão nos indica a data de circulação do postal que tinha por destino Hamburgo (Alemanha): 9 de abril de 1908. 

Os selos que aformoseiam o cartão circularam a partir de 1894 numa série chamada Madrugada Republicana

domingo, 15 de março de 2026

OLAVO BILAC (1894)

 

https://memoria.bn.gov.br/DocReader/DocReader.aspx?bib=829684&id=023501252863&pagfis=193

Almanach Popular Brasileiro para 1894 (Livraria Universal - Pelotas e Porto Alegre).

A Ronda Noturna é um poema de Olavo Bilac que leva a imaginação do leitor para uma noite tormentosa, a voz do vento e o silêncio no interior de um convento. 

ESCULTOR TEIXEIRA LOPES (1931)

 

https://www.albertolopesleiloeiro.com.br/peca.asp?Id=21717352

Verso de um cartão-postal das Edições Latina-Postales D'Arte da cidade de Porto, Portugal. 

O destaque neste cartão com um selo português e carimbo com a data de 25 de outubro de 1931 é a dedicatória e assinatura do escultor Antonio Teixeira Lopes (1866-1942). 

Na cidade do Rio Grande, poucos conhecem este nome. Mas a maioria conhece uma obra de sua autoria. 

Trata-se do monumento túmulo a Bento Gonçalves da Silva na Praça Tamandaré que foi confeccionado em Portugal e inaugurado em 1909. 

Os dois leões em luta são uma das referências públicas mais lembradas pelos moradores e visitantes.  

A CENTRALIDADE URBANA

 

https://www.bvcolecionismo.lel.br/peca.asp?Id=11249911

Cartão-postal fotográfico com uma vista aérea da área central da cidade do Rio Grande

A empresa paulista Foto-Postal Colombo realizou voos e documentou a urbanidade no final da década de 1950. 

Em primeiro plano se observa o prédio da Alfândega e ao seu lado o edifício da Câmara do Comércio. Na sequência o Mercado Público e a Biblioteca Rio-grandense

A Praça Xavier Ferreira é a centralidade urbana: à esquerda está sua face com a Rua Marechal Floriano e à direita com a Rua General Osório.  

O cartão está datado de 4 de junho de 1961. 

sábado, 14 de março de 2026

IMIGRAÇÃO NO RIO GRANDE DO SUL (1891-1893)

 

Almanach Popular Brazileiro para 1894 (Livraria Universal, Pelotas e Porto Alegre).
https://memoria.bn.gov.br/DocReader/DocReader.aspx?bib=829684&id=023501252863&pagfis=164

A imigração marcou o povoamento e urbanização de muitas regiões do Rio Grande do Sul desde os tempos da Capitania e depois Província do Rio Grande de São Pedro. 

Em meados dos 1700 foram os açorianos; a partir de 1824 os alemães; a partir de 1875 os italianos; além de portugueses, espanhóis, franceses, ingleses, austríacos e várias outras nacionalidades/etnias. 

Em 1891 entraram no Rio Grande do Sul 24.325 imigrantes. Em 1892 foram 8.626. 

No primeiro semestre de 1893 foram 2.190 imigrantes sendo 1.035 italianos, 765 austríacos, 136 espanhóis, 92 alemães, 73 portugueses, 17 franceses, 5 belgas, cinco americanos do norte etc. 

Nesta leva de 1893 a maioria dos imigrantes eram do sexo masculino, religião católica, solteiros, maiores de 12 anos e agricultores. 

O destino da maioria era Porto Alegre 1.936, Rio Grande 195, Pelotas 43 e Bagé 16. 

Como 1.756 se declararam agricultores e a maioria são italianos, hipoteticamente, Porto Alegre deve ter sido um ponto de passagem para avançar para a Serra Gaúcha onde as colônias de imigração italiana entre Bento Gonçalves, Caxias e Garibaldi estavam num crescendo populacional e de expansão da fronteira agrícola. 

sexta-feira, 13 de março de 2026

LICANTROPIA NAS FONTES GRECO-ROMANAS

 


Divulgo a publicação do meu artigo "Raízes Históricas da Licantropia: as fontes greco-romanas" que faz parte da coletânea da Coleção Documentos 138 - "Múltiplos Estudos de Natureza Histórica" (2026). 

O livro pode ser acessado no endereço: file:///C:/Users/Luiz%20Henrique%20Torres/Downloads/COLE%C3%87%C3%83O%20DOCUMENTOS%20138.pdf

OS LOBOS NA FRANÇA (1896)

 

https://memoria.bn.gov.br/DocReader/DocReader.aspx?bib=829625&id=3138604789545&pagfis=190

Os Lobos fazem parte do imaginário francês devido aos inúmeros registros de ataques contra aldeões ou até em áreas urbanas como Paris. A crença supera inclusive a História Natural e transcende, em alguns períodos, para o caráter sobrenatural dos ataques estarem ligados a lobisomens - humanos que se transformaram em lobos agressivos e fortes. 

Esta matéria publicada no Almanach (Paris) para 1896 faz referência a uma lei francesa de 1882 que concede recompensa para quem matar lobos. O objetivo era levar a espécie ao extermínio. Em 1891 foram mortos 1.316 lobos e o Estado francês pagou mais de 104 mil francos aos caçadores. A queda no número da espécie fez com que em 1894 apenas 404 lobos foram mortos evidenciando a rápida redução da espécie. 

A matéria destaca que em breve, os Lobos poderiam ser apenas memória. 

1892 -ÀS VÉSPERAS DA GUERRA

 

https://memoria.bn.gov.br/DocReader/DocReader.aspx?bib=829684&id=023501252863&pagfis=182

Matéria publicada no Almanach Popular Brasileiro para 1894  (Livraria Universal - Pelotas e Porto Alegre). O autor Heraclito Americano de Oliveira assina o texto em Rio Pardo, 1 de janeiro de 1893. 

O conteúdo enfatiza que o ano de 1892 no Rio Grande do Sul foi de "grito de raiva, de ódio, de rancor profundo" e "tinem as armas afiadas e um ardor selvagem de sangue percorre as artérias do Povo". 

O autor corretamente acertou que o ano de 1893 seria o da eclosão de guerra fratricida no Rio Grande do Sul: "uma revolta abriu o 92 e fecha-o a iminência de uma guerra entre irmãos". 

O clima de violência política se exacerbou em 1893 e eclodiu a Revolução Federalista confrontando chimangos e maragatos. Os combates se estenderam até 1895 e cerca de dez mil pessoas morreram. 

quinta-feira, 12 de março de 2026

FUNDAÇÃO DE PORTO ALEGRE

 

https://www.rmgouvealeiloes.com.br/peca.asp?Id=1843971

Envelope relativo as "Grandes Comemorações do Bicentenário de Porto Alegre" em 5 de novembro de 1940. 

A definição da data de fundação de Porto Alegre é complexa com mais de uma versão: 5 de novembro de 1740 que é a data da concessão provisória das sesmarias de Jerônimo de Ornelas; 24 de julho de 1773, quando ocorre a transferência da Câmara de Vereadores do Rio Grande (sediada em Viamão com a invasão espanhola da Vila do Rio Grande em 1763) que é estabelecida na Freguesia de Porto Alegre; 26 de março de 1772 quando a capela de Francisco dos Casais é elevada a Freguesia de São Francisco do Porto dos Casais e se torna administrativamente autônoma da Freguesia de Viamão. 

Portanto, conforme discussões encaminhadas pelo Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Sul, a data de 1772 se tornou lei em 1971. 

quarta-feira, 11 de março de 2026

PARIS - GRAND HOTEL BRÉSILIEN (1882)

 

https://memoria.bn.gov.br/DocReader/docreader.aspx?bib=700088&pesq=&pagfis=68

Almanach Pariziense (Paris), 1882. 

A proximidade entre Brasil e França possibilitou a publicação até de Almanaques divulgando produtos franceses aos brasileiros que viajam ou que adquiriam no Brasil. 

Um dos anúncios é do Collares Royer - Electro-Magneticos contra as convulsões e para facilitar a dentição das crianças. 

Outro anúncio é para hospedagem na capital francesa: Paris Grand Hotel Brésilien que era propriedade de Paulo Cohen que morou muitos anos no Brasil. Localizado no centro da cidade e perto dos boulevards, ainda havia uma facilidade: "fala-se português". 

terça-feira, 10 de março de 2026

MÁQUINA DE COSTURA NEW HOME (1896)

 

https://memoria.bn.gov.br/DocReader/DocReader.aspx?bib=829625&id=3138604789545&pagfis=152

Almanach (Paris) do ano de 1896. 

Anúncio de uma máquina de costura New Home modelo Climax em que um menino argumenta com a mãe que não será mais xingado por ter rasgado a calça na escola. Rapidamente, a mãe poderia concertar o estrago utilizando a máquina. 

A New Home Sewing Machine Co. foi fundada em 1876 em Organge, New Jersey (EUA). A qualidade das máquinas de costura eram asseguradas pela empresa que fornecia um certificado de 20 anos de garantia do produto.  

segunda-feira, 9 de março de 2026

GABINETE DE NUMISMÁTICA EM 1902

 

https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/3314

Biblioteca Nacional na Rua do Passeio: Gabinete de Numismática. 

Fotografia de Antonio Luiz Ferreira datada de 1902. 

A fotografia mostra expositores com moedas e medalhas que são fontes para contar a história da humanidade. 

Em 1902, o acervo numismático fazia parte da Biblioteca Nacional sediada no centro do Rio de Janeiro. Em 1922 foi criado o Museu Histórico Nacional que recebeu este acervo. A Biblioteca Nacional se dedicou ao acervo bibliográfico, documental e hemeroteca. 

Preciosidades compõem a coleção de moedas do Museu Histórico Nacional. Um exemplo é esta moeda de ouro portuguesa produzida entre 1367-1383 no reinado de D. Fernando: 

Anverso: Ao centro, o rei D. Fernando I, de frente, de pé junto do trono, vestido com a armadura e coroado, com a espada erguida na mão direita, e apoiando a esquerda no escudo das quinas. de um e de outro lado da cabeça, uma cruz. no exergo, L, acostado por pontos. Legenda: FERNANDVS D G REX PORTVG.https://mhn.acervos.museus.gov.br/moedas-de-ouro/moeda-1201.



Reverso: Ao centro, as quinas e, em volta, dentro de dois círculos de pontos, oito castelos. Legenda: FERNANDVS : D : G : REX : PORTUGALI : ALhttps://mhn.acervos.museus.gov.br/moedas-de-ouro/moeda-1201

domingo, 8 de março de 2026

CAIS DA BOA VISTA NO L'UNIVERS ILLUSTRE

 

https://www.rmgouvealeiloes.com.br/peca.asp?Id=22352816

https://www.rmgouvealeiloes.com.br/peca.asp?Id=22352816


https://www.rmgouvealeiloes.com.br/peca.asp?Id=22352816

Periódico francês L'Univers Illustre do dia 3 de janeiro de 1866 reproduziu uma gravura e um texto sobre a cidade do Rio Grande. 

O texto de Francis Richard não é lisonjeiro com as qualidades da cidade de "San-Pedro de Rio-Grande". 

A gravura do Cais da Boa Vista na Rua Riachuelo é uma das mais difundidas na Europa.  

PORTO ALEGRE - RIO GRANDE (1882)

 

https://www.betoassef.com.br/peca.asp?Id=26256893

Sobrecarta enviada de Porto Alegre para Rio Grande em 6 de agosto de 1882. O destinatário era o Sr. Vieira Mendes & Filhos.

O selo D. Pedro II (cabeça grande), no valor de 100 réis, foi obliterado com carimbo mudo. 

sábado, 7 de março de 2026

GETÚLIO VARGAS (1931)

 

https://www.tpleiloes.com.br/peca.asp?Id=26170936

Cédula de 10 mil réis emitida pelo Thesouro do Estado do Rio Grande do Sul em 1 de maio de 1931. 

A nota mostra Getúlio Vargas, ex-governador do RS, e que era o presidente da República no Governo Provisório. 

Litografia da Livraria do Globo (Porto Alegre). 

No verso o Banco do Rio Grande do Sul estabelecido na Avenida Mauá e Porto Alegre:

https://www.tpleiloes.com.br/peca.asp?Id=26170936

IGREJA DO SALVADOR

 

https://www.bvcolecionismo.lel.br/peca.asp?Id=28777140

Cartão-postal EDICARD (São Paulo) mostrando a Igreja do Salvador na cidade do Rio Grande. 

Esta igreja gótica anglicana foi edificada em Rio Grande nos primórdios dos 1900. 

Cartão da década de 1970. 

RIO GRANDE NO MAPA ESPANHOL

 

https://www.mcu.es/ccbae/es/consulta/registro.do?control=BAB20100017395#[#BAA20120076174##*##Rio%20Grande%20do%20Sul#]#%20-%20#[#BAA20060775793##*##Mapas#]#

"Mapa de la embocadura de el Rio de la Plata y sus contornos con las situationes de los puertos de mar de aquellas costas hasta el Rio Grande, que divide la jurisdiccion entre las Coronas de España y Portugal".

Desconhecia este Mapa espanhol que mostra um contexto geográfico amplo entre a embocadura do Rio da Prata com Buenos Aires, Montevidéo e Colônia do Sacramento e a costa oceânica até Rio Grande. Distâncias geográficas, porém, o contexto geopolítico está muito conectado neste período. 

Investigando o Mapa, veio a surpresa: o foco da preocupação espanhola é o povoamento e militarização da Barra do Rio Grande pelos portugueses: o surgimento da Comandância Militar do Rio Grande a partir de 1737. 

Para os espanhóis a fundação de Rio Grande foi de grande relevância, pois era uma base de apoio militar e logístico para a Colônia do Sacramento (fundada em 1680), um enclave português no Rio da Prata espanhol. Isto se confirma ao observar o destaque dado a Rio Grande com o "Plano particular de la Poblacion" e a Explicacion de los Puestos fortificados por los Portugueses".

 


Para melhor observar a estrutura criada em Rio Grande foi feito um pequeno mapa da povoação em que se observa a península com a parte superior sendo a Lagoa dos Patos (brazo del Miny - pareciam desconhecer a existência da Lagoa dos Patos e em Rio Grande haveria um braço da Lagoa Mirim) e a parte de baixo é o Saco da Mangueira. 

No lado direito temos o "fuerte de la poblacion" ou o Forte Jesus-Maria-José (com quatro baluartes nas imediações da atual Praça Sete de Setembro) construído a mando do comandante Silva Paes a partir de fevereiro de 1737. No lado esquerdo temos "cortadura" que é o Forte de Santana do Estreito que foi edificado até o final de 1737 (ficava na atual área da Hidráulica). 

A maior parte dos retângulos ou quadrados em rosa ficam na área entre a margem da Lagoa dos Patos proximidades da Rua Coronel Sampaio (Cais do Porto Velho ainda não edificado) até as imediações da atual Praça Tamandaré. Este é plano urbano original. Outras edificações estão na proximidade do Forte de Santana que foi abandonado por volta de 1752. 




Os espanhóis infiltraram espiões para acompanharem o crescimento populacional e o aparato militar em Rio Grande. Algum deles elaborou ou passou as informações para produzir este Plano particular de la Poblacion.  

Como este Mapa/Plano não está datado no acervo da Archivo General de Simancas (Espanha), hipoteticamente, considero que tenha sido elaborado em torno de 1740. 

sexta-feira, 6 de março de 2026

AQUEDUTO DA CARIOCA (1861)

 

https://www.brasilianaiconografica.art.br/obras/24044/les-aqueducs-a-rio-de-janeiro

Les Acqueducs à Rio de Janeiro ou Os Aquedutos do Rio de Janeiro é uma gravura na técnica litográfica publicada em 1861. A gravura é autoria de Charles Ribeyrolles a partir da fotografia de Victor Frond e o gravador é Bachelier (impressão Lemercier). 

Reproduzo um histórico do Aqueduto: 

"O Aqueduto da Carioca, como os Arcos eram chamados, foi construído para resolver uma questão que sempre foi paradoxal no Rio de Janeiro: o acesso à água. Instalada entre o mar e o morro e localizada numa região com muitas lagoas, manguezais e pântanos, a cidade cresceu lutando contra as áreas alagadas. Ao mesmo tempo, precisou de um complexo sistema de abastecimento para garantir água potável. 
As obras para distribuição hídrica começaram em 1719, com a canalização das nascentes do Rio Carioca, mas só terminaram em 1750, com a inauguração do Aqueduto. A construção ligava o morro do Desterro (Santa Teresa) ao de Santo Antônio e transportava a água até o Convento de mesmo nome, no atual Largo da Carioca (...) Construído com força de trabalho escravizada - indígena e africana -, o Aqueduto foi projetado pelo brigadeiro português José Francisco Pinto Alpoim" (https://www.brasilianaiconografica.art.br/artigos/20233/arcos-da-lapa-de-aqueduto-a-viaduto)

https://www.brasilianaiconografica.art.br/obras/24044/les-aqueducs-a-rio-de-janeiro

quinta-feira, 5 de março de 2026

ESCRAVA DE GANHO (1865)

 

https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/6488

Escrava de ganho no Rio de Janeiro, cerca de 1865, pelo fotógrafo Christiano Junior

A serenidade e a imponência desta mulher é hipnótica. 

Reproduzo o verbete do Arquivo Nacional na definição de Escravo(a) de Ganho:

"Os jornaleiros, ou escravos ao ganho como são mais comumente conhecidos, representavam uma parcela significativa dos Escravos urbanos. Esses escravos realizavam trabalhos diversos, eram artesãos, barbeiros, vendedores, quitandeiras, quituteiras, carregadores, entre outras atividades. O escravo ao ganho tinha um senhor, a quem pertencia como os outros escravos, mas tinha uma certa autonomia de seu dono, não morando na mesma casa, não tendo um feitor, podendo circular mais livremente pelas ruas e praticar um ofício que lhe garantisse o sustento e alguma renda. No entanto, apesar da aparente liberdade, o escravo jornaleiro devia a seu senhor uma diária, normalmente alta, que era para ele uma fonte de renda importante, e caso não conseguisse pagá-la, poderia perder o “benefício” do ganho e sofrer castigos. O que sobrasse do seu Jornal, ou seja, da renda obtida no dia de trabalho, deveria usar na sua alimentação, moradia, e outras despesas, o que desonerava bastante o senhor, que economizava nos gastos com a sobrevivência do escravo. Com a ajuda das diárias, alguns escravos conseguiram acumular a quantia necessária para a compra de Alforrias" (http://www.historiacolonial.arquivonacional.gov.br/glossario/index.php/verbetes/10-verbetes-iniciados-em-e/743-escravos-de-ganho#:~:text=Em:%20Fran%C3%A7ois%20Auguste%20Biard.,para%20a%20compra%20de%20Alforrias).

ESCRAVO CONGO (1865)

 

https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/6506

Escravo Congo, em 1865, fotografado por Christiano Junior no Rio de Janeiro. 

Conforme o Arquivo Nacional, esta é a definição para Escravo Congo:

"O termo escravo de nação não necessariamente indica a etnia ou nação ou a precisa procedência geográfica dos cativos africanos. Na maior parte das vezes indica o lugar de embarque ou de aprisionamento do negro africanos que foi escravizado. Segundo o costume do tráfico, qualquer cativo exportado pelos mercados ligados à rede comercial do rio Zaire era considerado um congo. Logo, os escravos vindos desta região pertenciam a variados grupos étnicos. Na cidade do Rio de Janeiro, os congos eram considerados escravos com grande habilidade na agricultura, nos ofícios da arte e no trabalho doméstico. Destacava-se no grupo o costume de preservar suas tradições, celebrando o antigo reino do Congo em suas canções e coroando seus próprios reis e rainhas" (https://historialuso.an.gov.br/index.php/hlb/2055-gloss%C3%A1rio/2073-e/6194-escravo-de-nacao-congo). 

ESCRAVO DE GANHO (1865)

 

https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/6493

Escravo de Ganho em 1865. Fotografia de Christiano Junior no Rio de Janeiro. 

A imagem mostra a atuação de um Escravo de Ganho atuando como barbeiro. Era estipulada uma parte do ganho diário que deveria ser entregue ao seu proprietário. O que excedesse seria para os seus gastos e guardar para a compra da carta de alforria (documento oficial que garantia a liberdade desde que assinada pelo proprietário). Obtendo a carta o cativo passava à condição de negro forro ou liberto. 

ESCRAVA DE GANHO VENDEDORA (1865)

 

https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/6490

Escrava de Ganho Vendedora no ano de 1865. Fotografia de Christiano Junior no Rio de Janeiro. 

A mulher é vendedora de frutas pelas ruas do Rio de Janeiro. Esta atividade era essencial para o funcionamento da sociedade Colonial/Imperial. O menino deve atuar como vendedor ambulante. 

Está no estúdio posando para o fotógrafo e fico impressionado com a expressão de altivez desta mulher ostentando com suas marcas tribais no rosto:


Outras atividades essenciais desenvolvidas por escravos de ganho eram: comércio ambulante de doces, comidas típicas, hortaliças e artesanato; serviço de transporte de pessoas e de mercadorias, barris, dejetos, descarga nos portos; ofícios de barbeiro, extração de dentes, sapateiro, ferreiro, carpinteiro, pedreiro, consertos gerais; serviços gerais de lavadeira, engomadeira, ama de leite, consertos domésticos e faxineira.

Além destas, inúmeras atividades eram exercidas por escravos de ganho.