| Almanak Administrativo, Mercantil e Industrial do Rio de Janeiro para 1859. https://memoria.bn.gov.br/ |
Em 1822, foi fundada no Rio de Janeiro, a empresa Alexandre & Francisco Desmarais - Cabeleireiros da Casa Imperial.
Os empresários eram proprietários de uma casa comercial em Paris de onde procediam os produtos vendidos na Rua do Ouvidor. A localização era das mais desejadas para o comércio sofisticado na Corte do Império do Brasil:
"A grande artéria da cidade no século XIX era a Rua do Ouvidor. Ela foi o ensaio para a introdução da modernidade europeia na cidade e as marcas das tradições e cultura francesas. Ali se concentrava uma cadeia de comércio, com lojas de moda, livrarias, cafeterias e demais negócios, incluindo as redações de jornais. A Rua do Ouvidor integrava o centro urbano do Rio junto à Rua Direita (atual 1° de Março) e o Largo do Carmo (atual Praça XV) e, desde a sua construção, a via teve vários nomes: Desvio do Mar, Rua do Gadelha, de Aleixo Manuel, do Barbalho, de Santa Cruz, da Quitanda, do padre Homem da Costa e da Sé Nova, até se tornar, por volta de 1780, Rua do Ouvidor. Seu nome atual é uma homenagem ao Dr. Francisco Berquó da Silveira, ouvidor da comarca do Rio de Janeiro que chegou de Lisboa em 1780 e foi morar em um sobrado na rua, que até aquele momento era conhecida como “Rua do padre Homem da Costa”. A literatura foi a que mais propagou a grandeza e suntuosidade da rua, a despeito de ser muito estreita, quase um beco. Machado de Assis e Joaquim Manuel de Macedo escreveram sobre as delícias das livrarias, cafés e confeitarias. Quando pensaram em alargá-la, Machado de Assis protestou, dizendo que a melhor delícia da largura da rua era poder tomar um café numa confeitaria e comer um doce em outra só esticando os braços. Luís Edmundo, em O Rio de Janeiro do Meu Tempo, faz um relato detalhado do que nela existia, loja por loja. Era a grande galeria a céu aberto da cidade. Intelectuais, artistas, empresários, jornalistas, todos se encontravam na via. Para Joaquim Manuel de Macedo (1963, p.9), ela era: “[…]a mais passeada e concorrida, e mais leviana, indiscreta, bisbilhoteira, esbanjadora, fútil, noveleira, poliglota e enciclopédica de todas as ruas[…]”.
No final do século XIX, o cenário das lojas na Rua do Ouvidor remetiam a Paris e, também, à sensação de civilização e progresso. O viajante alemão Ernst Ebel apresenta a sua visão deste logradouro: “Ao entrarmos, porém, na Rua do Ouvidor, acreditamo-nos transportados para Paris, porque nela se estabeleceram os franceses e, na verdade, com aquela elegância que lhes é peculiar.” https://riomemorias.com.br/memoria/rua-do-ouvidor/#:~:text=A%20grande%20art%C3%A9ria%20da%20cidade,incluindo%20as%20reda%C3%A7%C3%B5es%20de%20jornais.
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